Um artigo recente publicada pela Digital Foundry trouxe novos detalhes sobre o desenvolvimento de Assassin’s Creed Shadows para o Switch 2, mas acabou revelando informações importantes também sobre as versões de consoles atuais — especialmente o Xbox Series S. Segundo a própria Ubisoft, o console da Microsoft enfrentou limitações severas de memória RAM, o que levou à remoção do raytracing na versão final do jogo.
Em entrevista ao site, o arquiteto técnico de renderização do projeto, Nicolas Lopez, explicou que o RTGI (raytracing de iluminação global) chegou a funcionar corretamente no Series S durante o desenvolvimento. Tecnicamente, o recurso estava estável e visualmente satisfatório. O problema, no entanto, não era desempenho bruto, e sim memória RAM disponível.
De acordo com Lopez, o time estava “muito curto de memória” ao se aproximar da versão final do jogo. Como resultado, a Ubisoft decidiu remover o RTGI da maior parte da experiência, mantendo o recurso ativo apenas em uma área específica: a zona de esconderijo do jogador. O próprio desenvolvedor descreveu a decisão como frustrante, mas necessária para viabilizar o lançamento.
A fala reforça uma realidade já conhecida do Xbox Series S: apesar de sua GPU competente para a proposta do console, o orçamento de memória — especialmente de memória gráfica — é um dos maiores gargalos da plataforma quando se trata de recursos modernos como raytracing.
Series S, Switch 2 e as escolhas técnicas
A menção ao Series S surge no contexto da versão de Switch 2 porque, segundo a Digital Foundry, os dois sistemas possuem capacidades técnicas relativamente próximas, principalmente quando se analisa limites de memória e largura de banda. Isso ajuda a explicar por que determinadas tecnologias precisam ser ajustadas ou removidas nesses hardwares, mesmo quando funcionam bem em consoles mais robustos como o Series X ou o PlayStation 5.
No caso de Assassin’s Creed Shadows, a Ubisoft optou por preservar estabilidade, qualidade geral da imagem e consistência de mundo, abrindo mão de um recurso visual avançado para evitar cortes mais profundos em outros aspectos do jogo.
Por que o raytracing consome tanta VRAM?
O alto consumo de VRAM pelo raytracing não é coincidência. Diferente das técnicas tradicionais de iluminação, o raytracing exige que o jogo mantenha muito mais dados simultaneamente na memória.
Entre os principais fatores estão:
- Estruturas de aceleração (como BVHs), que armazenam a geometria da cena para cálculo dos raios
- Múltiplos buffers adicionais, incluindo dados de iluminação, reflexão, oclusão e sombras
- Texturas de maior precisão, já que o raytracing se beneficia de dados mais detalhados
- Histórico temporal, usado para reduzir ruído e estabilizar a imagem ao longo dos frames
Além disso, recursos como RTGI são particularmente pesados porque afetam toda a iluminação global da cena, exigindo cálculos constantes e armazenamento de informações para praticamente todos os ambientes visíveis.
Em consoles com memória unificada e limitada — como o Xbox Series S — esse uso elevado de VRAM entra em conflito direto com outros sistemas essenciais do jogo, como texturas, animações, streaming de mundo aberto e lógica de IA. Quando a memória se esgota, a única alternativa é cortar recursos, não importa o quão bem eles estejam rodando em termos de FPS.
No fim das contas, o caso de Assassin’s Creed Shadows ilustra bem o desafio atual da indústria: o raytracing já é tecnicamente viável, mas continua sendo um luxo caro em termos de memória — especialmente em hardwares mais enxutos.
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