A aposentadoria de Phil Spencer já era aguardada por parte da comunidade ao longo dos últimos anos. O que poucos previam era a saída simultânea de Sarah Bond, até então presidente do Xbox e vista por muitos como sucessora natural do comando da divisão.
Segundo reportagem detalhada do The Verge, a decisão partiu diretamente da alta cúpula da Microsoft. O CEO Satya Nadella e a CFO Amy Hood optaram por outro caminho: promover Asha Sharma, executiva com histórico em Inteligência Artificial dentro da empresa.
Para funcionários atuais e ex-funcionários ouvidos pela publicação, a saída de Bond já parecia inevitável nos bastidores.
O desgaste dos últimos anos
Phil Spencer decidiu deixar a Microsoft no ano passado, após um período considerado difícil para o Xbox. A aquisição da Activision Blizzard se arrastou por muito mais tempo do que o previsto, exigindo grande esforço regulatório e político.
Além disso, a Microsoft abandonou gradualmente a estratégia de exclusivos em favor de uma abordagem multiplataforma. O movimento buscava ampliar receitas, mas também diluiu parte da identidade tradicional do console.
Ao mesmo tempo, a empresa tentou redefinir o Xbox como algo além de um hardware — uma plataforma presente em múltiplos dispositivos. Os resultados, segundo o relatório, foram mistos.
O anúncio que vazou e o dia de caos interno
A sucessão foi planejada durante meses. O anúncio oficial estava previsto para segunda-feira, mas vazamentos forçaram a divulgação antecipada após a informação chegar à imprensa.
O resultado foi um dia descrito como caótico. Equipes internas souberam da mudança pela mídia antes de receber comunicados oficiais. Um post no LinkedIn promovendo recursos de acessibilidade foi publicado pouco antes da saída de Sarah Bond ser anunciada — e ficou no ar por horas.
Quatro memorandos foram enviados internamente. Apenas Spencer mencionou Bond. Nem Nadella, nem Matt Booty, nem Asha Sharma citaram a executiva em suas mensagens públicas.
A estratégia “Xbox Everywhere” e seus efeitos
Promovida a presidente em outubro de 2023, dias após a conclusão do acordo de US$ 68,7 bilhões com a Activision Blizzard, Bond passou a liderar a visão de transformar o Xbox em uma marca “além do console”.
Essa estratégia incluiu campanhas como “This is an Xbox”, que sugeriam que celulares e tablets também eram Xbox por meio do Cloud Gaming. Internamente, segundo fontes ouvidas pelo The Verge, a campanha gerou desconforto.
A promessa de lançar uma loja mobile do Xbox em julho de 2024 também nunca se concretizou, mesmo quase dois anos depois. Enquanto isso, a receita de hardware caiu por três anos fiscais consecutivos, e a tendência de queda deve continuar em 2026.
Fontes afirmam que a estratégia priorizou potenciais novos consumidores em detrimento da base tradicional. A tentativa de migrar rapidamente para mobile e nuvem teria enfraquecido o foco no console.

Tensões internas e saída inevitável
Funcionários relatam que Bond era eficiente em fechar parcerias, mas difícil de trabalhar. Segundo relatos, a estrutura que ela montou não tolerava contestação de sua visão estratégica.
Já Phil Spencer vinha dando sinais de desgaste. Após um longo período de férias no início do ano passado, rumores internos sobre sua aposentadoria começaram a circular. A Microsoft negou na época, mas a saída acabou confirmada meses depois.
A chegada de Asha Sharma e o “reset” estratégico
Com a promoção de Asha Sharma, executiva com histórico em IA e passagens por Meta e Instacart, a Microsoft sinaliza uma mudança de rumo. No memorando enviado aos funcionários, Sharma prometeu “o retorno do Xbox” e afirmou querer resgatar o espírito original da marca.
Sua nomeação gerou preocupação interna, principalmente por seu histórico fora da indústria de games e pela ligação com Inteligência Artificial. Parte dos funcionários teme uma imposição excessiva de IA nos produtos. Ela respondeu diretamente a esse receio:
“À medida que monetização e inteligência artificial evoluem e influenciam esse futuro, não vamos perseguir eficiência de curto prazo nem inundar nosso ecossistema com conteúdo gerado por IA sem alma. Jogos são, e sempre serão, arte, criados por humanos e construídos com a tecnologia mais inovadora que podemos oferecer.”
Fontes descrevem Sharma como entusiasmada, disposta a aprender e focada em execução estratégica clara. Sua experiência em escalar plataformas e adquirir usuários pode ser vista como tentativa de resolver uma das maiores fragilidades recentes do Xbox: crescimento sustentável.

O legado de Phil Spencer
A saída de Spencer marca o fim de uma era. Ele assumiu o comando em 2014, após o lançamento problemático do Xbox One. Sob sua liderança, a marca adotou medidas pró-consumidor como retrocompatibilidade, crossplay e o Xbox Play Anywhere.
O Xbox Game Pass redefiniu o mercado de assinaturas, forçando concorrentes a reagir. No entanto, ele também deixa o cargo em meio a cortes, fechamento de estúdios e questionamentos sobre os efeitos colaterais da estratégia agressiva de aquisições.
Um novo capítulo — e muitas dúvidas
A Microsoft parece determinada a redefinir o Xbox mais uma vez. A nomeação de Sharma indica busca por estabilidade e execução disciplinada, não necessariamente por ruptura radical.
Resta saber se essa mudança será suficiente para recuperar a identidade da marca e competir de forma mais sólida na próxima geração. Como a própria nova CEO afirmou:
“Os próximos 25 anos pertencem às equipes que ousam construir algo surpreendente, algo que ninguém mais está disposto a tentar, e que tenham paciência para levar isso até o fim.”
Agora, o futuro do Xbox entra oficialmente em uma nova fase — e será definido pelas decisões tomadas a partir daqui.
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