Jensen Huang, CEO da Nvidia, definitivamente deixou de ser um nome conhecido apenas no mundo dos games. Durante sua participação no Fórum Econômico Mundial, o executivo falou sobre a explosão da demanda por inteligência artificial, possíveis bolhas no setor e, principalmente, sobre o impacto da IA no mercado de trabalho — agora e no futuro.
Em uma conversa com Larry Fink, CEO da BlackRock (que arrancou risadas ao chamar a Nvidia de “nuh-vidia” durante o bate-papo), Huang destacou como o crescimento da IA está mudando completamente o negócio da empresa.
“Um bom teste para saber se existe uma bolha em IA é observar que hoje já temos milhões de GPUs da Nvidia na nuvem. Estamos em praticamente todas as clouds, somos usados em todo lugar”, disse Huang. “E se você tentar alugar uma GPU da Nvidia hoje em dia, é incrivelmente difícil. O preço de aluguel está subindo não só para a geração mais recente, mas também para GPUs de duas gerações atrás.”
Segundo ele, essa escalada de preços acontece porque o número de empresas de IA está disparando, assim como o volume de companhias redirecionando seus orçamentos de P&D para esse tipo de tecnologia.
Datacenters já superam os games — e por muito
O principal motor dessa transformação é o negócio de datacenters da Nvidia, que já rende várias vezes mais do que a divisão de games. Entre agosto e setembro do ano passado, a empresa faturou US$ 51,2 bilhões com datacenters, contra US$ 4,3 bilhões com jogos no mesmo período.
A demanda por GPUs como as futuras Rubin, as B100/B200 e até modelos mais antigos, como H100/H200, está tão alta que começa a impactar também o mercado gamer.
Um exemplo claro é a RTX 5090. Apesar de ser uma placa extremamente poderosa para jogos, ela também é usada em aplicações menores de IA. Lançada por US$ 1.999, hoje já aparece sendo vendida por US$ 4.000 ou mais em alguns mercados.

Produção limitada e preços nas alturas
Outro fator crítico é a capacidade de produção. Quando a IA “bate à porta” pedindo chips — sejam GPUs ou memória — simplesmente não existe oferta suficiente no curto prazo.
É por isso que até os preços de RAM estão subindo: a demanda de datacenters é mais lucrativa e prioridade absoluta frente ao mercado consumidor.
“Isso vai criar muitos empregos”, afirmou Huang, citando a necessidade de mão de obra qualificada para construir datacenters gigantes e expandir a produção de energia para alimentá-los.
IA não vai tirar empregos — vai faltar gente
Um dos pontos mais fortes da fala de Huang foi sua visão sobre o impacto da IA no trabalho. Para ele, a tecnologia não vai gerar desemprego em massa, mas sim uma escassez de mão de obra.
“Uma forma simples de entender o impacto da IA em um trabalho é separar o propósito da função das tarefas que ela executa”, explicou.
Ele usou a si mesmo como exemplo:
“Se você colocasse uma câmera em nós dois e só observasse, provavelmente acharia que somos digitadores, porque eu passo o tempo todo digitando. Então, se a IA automatizar a digitação e a previsão de palavras, pareceria que ficaríamos sem emprego. Mas esse não é o nosso propósito.”
Huang aplicou a mesma lógica a profissões da área da saúde:
“No caso de radiologistas e enfermeiros, o propósito é cuidar de pessoas. Esse propósito é ampliado e tornado mais produtivo quando as tarefas repetitivas são automatizadas.”
Na visão do CEO da Nvidia, a IA não substitui o valor humano — ela remove tarefas mecânicas e libera as pessoas para focarem no que realmente importa em cada profissão.

Mas por que, afinal, as GPUs se tornaram tão centrais para a revolução da inteligência artificial?
Diferentemente das CPUs, que são otimizadas para executar poucas tarefas complexas em sequência, as GPUs foram projetadas para realizar milhares de operações simultâneas. Esse tipo de processamento massivamente paralelo é exatamente o que modelos de IA precisam para treinar redes neurais e executar inferências em larga escala.
Na prática, isso significa que GPUs aceleram de forma dramática tanto o treinamento quanto o uso de sistemas de IA, reduzindo custos e tempo de processamento. É por isso que chips originalmente criados para jogos hoje são o coração de datacenters, supercomputadores e serviços de nuvem focados em inteligência artificial — e também o principal gargalo quando a demanda por IA dispara mais rápido do que a capacidade de produção.
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