O CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou que a inteligência artificial pode se transformar em uma bolha especulativa caso seus benefícios não se espalhem além das grandes empresas de tecnologia e das economias mais ricas.
As declarações foram feitas durante uma conversa com o CEO da BlackRock, Larry Fink, no primeiro dia do Fórum Econômico Mundial, em Davos, que também contou com discursos de executivos como Demis Hassabis, do Google DeepMind, e Dario Amodei, da Anthropic.
Segundo Nadella, o sucesso de longo prazo da IA depende da adoção ampla da tecnologia por diferentes setores da economia e por países fora do eixo desenvolvido. Para ele, um sinal claro de bolha seria o fato de apenas empresas de tecnologia estarem colhendo os principais benefícios da revolução da IA.
“Para que isso não seja uma bolha, por definição, é preciso que os benefícios estejam muito mais bem distribuídos”, afirmou. “Um indício revelador de que se trata de uma bolha seria se apenas os grupos de tecnologia estivessem se beneficiando do avanço da IA.”
Apesar do alerta, Nadella disse estar confiante de que a tecnologia terá impacto transformador em diversos segmentos, como o desenvolvimento de novos medicamentos e o aumento da produtividade em escala global.
“Estou muito mais confiante de que esta é uma tecnologia que vai se apoiar nas bases da nuvem e do mobile, se difundir mais rápido, dobrar a curva de produtividade e gerar excedente local e crescimento econômico em todo o mundo”, declarou.

Adoção desigual e concentração nos países ricos
Dados de grandes empresas de tecnologia, incluindo a própria Microsoft, indicam uma forte disparidade global na adoção da IA. Os ganhos de produtividade e os principais usos corporativos da tecnologia seguem concentrados em países desenvolvidos e economias mais ricas, reforçando a preocupação de Nadella sobre a distribuição desigual dos benefícios.
Microsoft aposta em múltiplos modelos de IA
Durante o evento, Nadella também reiterou que o futuro da IA não será dominado por um único fornecedor de modelos. Essa visão explica a estratégia da Microsoft de trabalhar com diversas empresas do setor, como OpenAI, Anthropic e xAI.
A empresa ganhou vantagem inicial ao investir US$ 14 bilhões na OpenAI, o que garantiu acesso privilegiado às tecnologias da criadora do ChatGPT e prioridade em contratos de data centers. No entanto, após a reestruturação da parceria em outubro, a Microsoft abriu mão da exclusividade sobre suas necessidades de infraestrutura e deverá perder o acesso exclusivo às pesquisas e modelos da OpenAI no início da década de 2030.
Nadella afirmou que empresas poderão tirar proveito de múltiplos modelos, incluindo soluções open source, ou até desenvolver seus próprios sistemas por meio de técnicas como a “destilação”, que permite criar versões menores e mais baratas de modelos avançados.
“O verdadeiro diferencial intelectual de qualquer aplicação ou empresa será como ela usa esses modelos com engenharia de contexto e seus próprios dados”, disse. “Desde que as empresas consigam responder a essa pergunta, elas vão sair na frente.”
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