Beat ‘em up moderno resgata a energia retrô da franquia e aposta em identidade visual forte no Xbox Series X|S
Poucas franquias transitam tão bem entre quadrinhos, cinema e videogames quanto Scott Pilgrim, criada por Bryan Lee O’Malley. Depois do cultuado Scott Pilgrim vs. the World: The Game, a série retorna ao universo dos games com Scott Pilgrim EX, uma releitura que mistura reverência ao passado com ajustes modernos de design.

Mas nostalgia, por si só, não sustenta um jogo. A questão é: ele evolui o suficiente para justificar seu retorno?
Estrutura clássica, ritmo mais refinado
Scott Pilgrim EX segue o modelo tradicional de beat ‘em up lateral. Avançar pelas fases, enfrentar ondas de inimigos, derrotar chefes caricatos e acumular habilidades faz parte da espinha dorsal da experiência.
A diferença aqui está no ritmo. O jogo apresenta progressão mais fluida, menos dependente de grind excessivo e melhor balanceamento de dificuldade ao longo da campanha. A curva de aprendizado é mais acessível, sem perder o desafio nos estágios finais.
A estrutura de fases é mais variada do que no título de 2010, com pequenos desvios e eventos específicos que quebram a repetição típica do gênero.
Combate: simplicidade que funciona
O combate mantém comandos simples — ataque leve, pesado, especiais e combos encadeados — mas adiciona maior responsividade e melhor leitura de impacto visual.
Animações são mais claras, golpes têm peso perceptível e o feedback sonoro reforça cada acerto. A experiência continua acessível para quem quer jogar casualmente, mas permite domínio técnico para quem explora cancelamentos e combinações avançadas.
Ainda assim, trata-se de um beat ‘em up tradicional. Não há reinvenção estrutural profunda. O foco está em polimento, não em ruptura.
Direção de arte e identidade visual
Visualmente, Scott Pilgrim EX é onde o jogo mais brilha. A estética em pixel art foi refinada, mantendo fidelidade ao traço original dos quadrinhos enquanto adiciona mais fluidez às animações. Cores vibrantes, efeitos exagerados e referências culturais espalhadas pelos cenários ajudam a manter o tom irreverente da franquia.

No Xbox Series X, a performance é estável, com fluidez constante mesmo em momentos de tela cheia de inimigos e efeitos. No Series S, o desempenho se mantém sólido, sem quedas perceptíveis que comprometam a jogabilidade.
Humor e atmosfera
O humor continua presente, com diálogos rápidos, quebras sutis de expectativa e autorreferências. Não é um jogo excessivamente verborrágico, mas sabe usar suas falas com timing eficiente.
A trilha sonora reforça a atmosfera retrô com pegada indie rock e chiptune, ajudando a manter a energia constante durante as fases. O jogo entende que sua força está no estilo e na identidade cultural construída ao longo dos anos — e não tenta se afastar disso.

Conteúdo e longevidade
A campanha principal não é longa, mas incentiva rejogabilidade por meio de personagens diferentes, desafios adicionais e modo cooperativo local/online. O multiplayer continua sendo um dos maiores atrativos. Jogar em grupo transforma o ritmo e eleva o caos organizado das batalhas.
Por outro lado, quem busca profundidade narrativa ou sistemas complexos pode sentir que a experiência é mais estética do que estrutural.
Conclusão
Scott Pilgrim EX não tenta reinventar o beat ‘em up moderno. Em vez disso, aposta em refinamento, identidade visual forte e respeito ao legado da franquia.
É um retorno que entende seu público: direto, estilizado e divertido em sessões cooperativas. Não redefine o gênero, mas entrega exatamente o que promete — uma experiência retrô polida para a geração atual de consoles Xbox.










