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Releitura ambiciosa moderniza combate e narrativa sem abrir mão da essência que consagrou o clássico no Xbox Series X|S

Poucos jogos carregam o peso cultural de Final Fantasy VII. Lançado originalmente em 1997, ele redefiniu o RPG japonês para uma geração inteira. Décadas depois, a Square Enix assumiu o desafio de reconstruir essa obra em Final Fantasy VII Remake — não como uma simples atualização visual, mas como uma reinterpretação estrutural e narrativa.

O resultado é um jogo que respeita o passado, mas que não tem medo de mexer em suas bases.

Final Fantasy VII Remake | Central Xbox

Reimaginar Midgar: expansão e aprofundamento

Enquanto o título original percorria Midgar em poucas horas antes de expandir o mundo, o remake transforma essa primeira parte da jornada em uma campanha completa.

Isso permite aprofundar personagens que antes tinham pouco tempo de tela, desenvolver melhor os conflitos internos do grupo e expandir o contexto político e social da cidade. A Shinra deixa de ser apenas uma corporação vilanesca genérica e ganha camadas mais claras de crítica ambiental, exploração econômica e manipulação midiática.

Final Fantasy VII Remake | Central Xbox

O ritmo, porém, divide opiniões. Ao estender uma seção originalmente curta para dezenas de horas, o jogo inevitavelmente adiciona momentos mais lentos e missões paralelas que nem sempre mantêm o mesmo nível de intensidade narrativa.

Combate híbrido: tradição encontra ação

Uma das maiores mudanças está no sistema de batalha. O tradicional combate por turnos dá lugar a um modelo híbrido que mistura ação em tempo real com gerenciamento estratégico por meio da barra ATB.

O jogador controla diretamente os personagens, realiza ataques básicos para preencher a barra e então pausa a ação para utilizar habilidades, magias e itens. Essa dinâmica cria uma experiência que exige reflexos e planejamento ao mesmo tempo.

Final Fantasy VII Remake | Central Xbox

O sistema funciona especialmente bem em confrontos contra chefes, onde troca constante de personagens e uso inteligente de fraquezas elementais se tornam essenciais. Ainda assim, jogadores mais puristas podem sentir falta da cadência totalmente estratégica do modelo clássico.

Personagens mais humanos e relacionáveis

Cloud, Tifa, Aerith e Barret recebem tratamento muito mais detalhado. Expressões faciais, diálogos expandidos e interações adicionais ajudam a construir relações mais naturais entre eles.

O roteiro explora melhor as inseguranças de Cloud e a humanidade de cada membro do grupo, algo que no original dependia mais da imaginação do jogador e das limitações técnicas da época.

Há também decisões narrativas ousadas no final do jogo, que indicam que este remake não é apenas uma recriação fiel, mas sim uma possível releitura do próprio destino da história.

Final Fantasy VII Remake | Central Xbox

Direção de arte e performance no Xbox Series X|S

Visualmente, o jogo impressiona. Modelos detalhados, iluminação refinada e cenários ricos em textura elevam Midgar a um novo patamar de imersão.

No Xbox Series X, é possível optar por modos que priorizam resolução ou desempenho, com estabilidade sólida na maior parte do tempo. Já no Series S, há redução de resolução e ajustes gráficos, mas o desempenho permanece consistente e jogável.

Pequenas variações de qualidade em texturas aparecem ocasionalmente, mas não comprometem a experiência geral.

Trilha sonora e atmosfera

A trilha sonora clássica foi completamente reorquestrada, mantendo temas icônicos enquanto adiciona novas composições. O resultado é uma experiência sonora que equilibra nostalgia e modernidade. Momentos emblemáticos ganham ainda mais impacto emocional com a nova instrumentação e qualidade de áudio.

Final Fantasy VII Remake | Central Xbox

O desafio de dividir uma história em partes

É importante lembrar que Final Fantasy VII Remake cobre apenas uma parte da história original. Isso traz vantagens — maior aprofundamento — mas também limitações, já que o arco narrativo não se encerra completamente.

O jogo assume sua natureza episódica e prepara terreno para continuações, o que pode frustrar quem esperava uma experiência integral.

Conclusão

Final Fantasy VII Remake não é apenas uma atualização gráfica. É uma reconstrução ambiciosa que moderniza combate, expande personagens e assume riscos narrativos.

Ele não substitui o clássico de 1997 — e talvez nem tente. Em vez disso, oferece uma nova forma de vivenciar uma das histórias mais marcantes dos videogames.

Para novos jogadores, é uma porta de entrada acessível e visualmente impactante. Para veteranos, é uma mistura de nostalgia e surpresa, que respeita o passado enquanto aponta para um futuro diferente.

Rodrigo
Designer natural de Santo André, com mais de 20 anos de experiência criando e evoluindo times de UX e produtos digitais. Ama games, action figures e miniaturas de carros, além é claro de sua esposa e filhos! Gamertag: aptsen