Remake amplia narrativa, moderniza sistemas e refina o ritmo de um dos capítulos mais ambiciosos da franquia no Xbox Series X|S
Poucos RPGs carregam tanto peso histórico quanto Dragon Quest VII. Lançado originalmente no ano 2000, o título sempre foi lembrado por sua escala gigantesca, narrativa fragmentada e estrutura ousada. Agora, com DRAGON QUEST VII Reimagined, a Square Enix revisita um dos capítulos mais longos e densos da franquia, buscando equilibrar respeito à obra original com necessidades modernas de design.

O resultado não é apenas um upgrade visual. É uma tentativa clara de tornar o jogo mais acessível sem diluir sua identidade clássica.
Estrutura narrativa: fragmentação que vira força
A premissa continua sendo uma das mais peculiares da série. Em vez de uma jornada linear tradicional, Dragon Quest VII é estruturado em histórias isoladas que se conectam por meio de ilhas restauradas no tempo.

Essa estrutura episódica pode soar estranha inicialmente, mas é justamente ela que dá ao jogo uma identidade única. Cada ilha funciona quase como um mini-arco narrativo independente, com conflitos próprios, personagens específicos e temas variados — que vão de tragédias pessoais a dilemas morais mais amplos.
No remake, o ritmo dessas histórias está mais ajustado. Transições são mais fluidas, diálogos mais dinâmicos e há menos sensação de repetição no início da campanha, algo frequentemente criticado na versão original.
Combate e sistema de classes: tradição com ajustes inteligentes
O combate permanece fiel ao clássico sistema de turnos da franquia. Estratégia, gerenciamento de recursos e exploração de fraquezas continuam sendo fundamentais.
O grande destaque segue sendo o sistema de vocações (classes). Ele permite que personagens evoluam em diferentes especializações, desbloqueando habilidades que podem ser combinadas de forma estratégica ao longo da jornada.

Em Reimagined, o progresso foi levemente acelerado e melhor balanceado. O grind excessivo foi reduzido, e a curva de dificuldade parece mais consistente, especialmente nas primeiras dezenas de horas — algo crucial para um RPG que facilmente ultrapassa a marca de 80 horas de campanha.
Modernização visual e sonora
Visualmente, o remake adota uma direção que mistura fidelidade aos traços clássicos com maior riqueza de detalhes em ambientes e personagens. O estilo artístico preserva o charme tradicional da série, mas agora com iluminação mais refinada, animações mais suaves e cenários mais vivos.

No Xbox Series X, a experiência é estável e nítida, com tempos de carregamento praticamente inexistentes. Já no Series S, há pequenas reduções de resolução, mas o desempenho permanece consistente.
A trilha sonora, reorquestrada, reforça a atmosfera épica e nostálgica, ajudando a manter o ritmo emocional das diversas histórias espalhadas pela campanha.
Ritmo: o maior desafio do original, agora mais controlado
Se havia um ponto que dividia jogadores no título original, era o ritmo extremamente lento nas primeiras horas. Reimagined corrige isso com melhorias de qualidade de vida, menus mais rápidos, navegação mais intuitiva e melhor orientação de objetivos.
Ainda assim, trata-se de um RPG clássico. Ele exige paciência, leitura e dedicação. Não é uma experiência pensada para consumo acelerado — e isso faz parte de sua essência.
Para quem é DRAGON QUEST VII Reimagined?
Este não é um RPG de ação nem um jogo que busca reinventar o gênero. Ele é uma celebração do RPG tradicional japonês, com foco em narrativa longa, progressão gradual e sistemas estratégicos profundos.

Jogadores que apreciam experiências extensas e estruturadas encontrarão aqui uma jornada rica e recompensadora. Já quem prefere ritmo acelerado pode sentir o peso da duração e da abordagem clássica.
Conclusão
DRAGON QUEST VII Reimagined mostra como é possível modernizar um clássico sem descaracterizá-lo. Ele ajusta ritmo, melhora qualidade de vida e atualiza o visual, mas mantém intacta sua estrutura ambiciosa e sua essência tradicional.
Não tenta competir com RPGs contemporâneos focados em ação cinematográfica. Em vez disso, reafirma o valor do design clássico bem executado.
Para fãs da franquia e apreciadores de JRPGs tradicionais, é uma experiência longa, densa e cuidadosamente reconstruída para a nova geração de consoles Xbox.










