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Sequência expande universo, refina movimentação e organiza sua narrativa, mas mantém intacta a essência absurda que divide opiniões!

Desenvolvido novamente pela Squanch Games, High on Life 2 chega como uma sequência que não tenta reinventar sua identidade — e talvez essa seja sua maior virtude. O jogo entende exatamente o que o tornou relevante: humor agressivo, universo sci-fi absurdista e armas com mais personalidade do que muitos protagonistas do gênero.

Mas a pergunta inevitável é: evolução real ou apenas mais do mesmo?

Expansão de escala e ambição

Se o primeiro jogo parecia um experimento criativo que funcionou melhor do que o esperado, a sequência já nasce com mais confiança. O mundo é maior, mais variado e estruturalmente mais ambicioso.

Há mais biomas, mais densidade de NPCs e uma sensação clara de que o estúdio quis transformar o universo em algo menos episódico e mais coeso. A exploração deixa de ser apenas deslocamento entre missões e passa a ter pequenas recompensas narrativas e interações que ajudam a construir o tom satírico do jogo.

High on Life 2 | Central Xbox

Ainda assim, o design das áreas continua relativamente contido. Não é um mundo aberto tradicional — e nem tenta ser — mas funciona como uma série de hubs conectados com identidade própria.

Combate: evolução tímida, mas perceptível

O combate permanece como FPS arcade com foco em ritmo e improviso. A grande diferença aqui está na movimentação. O jogo aposta em deslocamento mais ágil, incluindo mecânicas que incentivam verticalidade e mobilidade constante.

Isso ajuda a deixar os confrontos mais dinâmicos, principalmente em arenas maiores. Porém, a variedade de inimigos ainda não acompanha totalmente essa evolução. Muitas situações acabam dependendo mais da criatividade das armas do que de uma real complexidade tática.

High on Life 2 | Central Xbox

As armas continuam sendo o coração da experiência. Cada uma carrega personalidade, comentários constantes e reações próprias ao contexto. O risco aqui é óbvio: para alguns jogadores, o excesso de falas pode cansar. Para outros, é justamente o diferencial que sustenta o charme da franquia.

Humor: identidade preservada, mas mais controlada

O humor segue como marca registrada. Referências meta, piadas desconfortáveis, quebras de quarta parede e situações deliberadamente absurdas estão por toda parte.

A diferença é que High on Life 2 parece um pouco mais consciente do próprio ritmo. O jogo ainda é exagerado, mas há momentos em que ele desacelera para construir situações em vez de apenas despejar piadas em sequência.

High on Life 2 | Central Xbox

Isso não significa que tudo funcione. Parte do humor continua sendo extremamente polarizador. Mas há mais estrutura narrativa aqui do que no primeiro título — e isso ajuda a sustentar a campanha por mais horas sem depender apenas do choque inicial.

Direção de arte e identidade visual

Visualmente, o jogo mantém o estilo cartunesco, com cores vibrantes e criaturas bizarras que parecem saídas de uma animação adulta intergaláctica. No Xbox Series X, a nitidez e a estabilidade ajudam a valorizar esse estilo. Já no Series S, há redução perceptível de resolução e detalhes, mas nada que comprometa drasticamente a experiência.

A direção de arte é forte o suficiente para mascarar limitações técnicas ocasionais. Pequenos bugs visuais e quedas pontuais de performance aparecem, principalmente em momentos mais carregados, mas não dominam a experiência.

Estrutura narrativa e ritmo

A campanha é mais longa e melhor distribuída. Missões principais alternam entre combate, exploração e momentos mais roteirizados. Isso cria uma sensação de progressão mais equilibrada.

O roteiro tenta aprofundar relações entre personagens e ampliar o contexto político e social desse universo absurdo. Não chega a ser profundo no sentido tradicional, mas demonstra uma tentativa clara de amadurecimento narrativo. Ainda assim, o jogo nunca perde seu foco principal: ser estranho, irreverente e desconfortavelmente engraçado.

High on Life 2 | Central Xbox

O que realmente mudou?

A grande evolução de High on Life 2 não está em revoluções mecânicas. Está em confiança criativa. Ele é mais seguro, mais estruturado e menos dependente do fator surpresa. O combate melhora, a narrativa se organiza melhor e o mundo ganha densidade.

Mas quem não gostou do primeiro dificilmente mudará de opinião aqui. A essência permanece intacta.

Conclusão

High on Life 2 é uma sequência que entende seu público. Ele amplia o universo, melhora a movimentação e organiza melhor sua narrativa, sem abrir mão do humor exagerado e da identidade caótica. Não é um salto geracional em design, nem redefine o gênero de FPS. Mas entrega exatamente o que promete: uma experiência única dentro do catálogo atual do Xbox.

Para quem gostou do original, a sequência é uma evolução natural e mais polida. Para quem busca profundidade técnica ou combate altamente estratégico, talvez ainda não seja aqui que encontrará isso.

High on Life 2 já está disponível no Game Pass e também na Xbox Store.

Rodrigo
Designer natural de Santo André, com mais de 20 anos de experiência criando e evoluindo times de UX e produtos digitais. Ama games, action figures e miniaturas de carros, além é claro de sua esposa e filhos! Gamertag: aptsen