Análise: The Technomancer

Technomancer, o RPG sci-fi situado em Marte produzido e desenvolvido pela Focus Home Interactive e pela Spyder, foi lançado em 28 de Junho para Xbox One e PC.

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Com a destruição da Terra centenas de anos atrás o Planeta Marte agora colonizado pelos humanos não é exatamente um lugar hospitaleiro. Todos os cantos do planeta abandonado são mortais, com várias ameaças à espreita. Criaturas híbridas e perigosas geneticamente modificadas pelos primeiros colonos percorrem as gargantas de Marte. Infelizmente, outros sobreviventes humanos também podem ser perigosos. Desde que Marte foi isolada a partir da Terra várias facções cresceram desesperadas e determinadas a serem os melhores especialistas em Technomancia. Você será capaz de fazer amizade com essas facções dependendo de suas ações e suas escolhas ao longo da história.

Essa é a premissa do jogo. Depois de um hype gigante em cima de Zach, protagonista do game, a Spyder apostou tudo no game para estar no meio das grandes produtoras, criadoras de jogos como Mass Effect e The Witcher. Mas será que o jogo consegue atingir a expectativa? Confira agora.

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Conferindo os primeiros minutos do game podemos perceber que o jogo é extremamente promissor. Com comandos simples, vemos que as lutas fluem muito bem. Logo de início, após um breve treinamento, somos designados à nossa primeira missão como Technomancer, enfrentando desde guardas até criaturas estranhas que mais parecem camarões gigantes.

A câmera deixa um pouco a desejar. Por diversas vezes você precisa correr e ter de movimentar os dois analógicos para ter uma visão ampla do cenário. Porém isso não acaba atrapalhando a diversão, já que após alguns minutos você acaba se acostumando com o sistema.

O jogo conta com algumas funções semelhantes a outros games de sucesso do gênero como o sistema de inventário, no qual cada item que você recolhe tem um peso diferente, o que tornará seu personagem mais leve ou mais pesado.

Outra parte fundamental do jogo é o sistema de diálogos, no qual o personagem tem algumas opções de resposta influenciando suas ações futuras no game.

O que sentimos falta foi o comando de pular. Pode parecer algo simples, mas por diversos momentos no jogo você poderia simplesmente pular um obstáculo para atravessar uma determinada área e não ter que dar a volta por todo o cenário para chegar ao objetivo.

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A ambientação de Marte é muito bonita e cheia de detalhes, com diversos cenários diferentes, tornando o jogo bem particular. As personagens, porém, deixam um pouco a desejar. Nos momentos de diálogo, por exemplo, suas falas ficam estranhas (desconexas) ou até mesmo quando você estiver lutando com os primeiros inimigos perceberá que a semelhança é inevitável: todos parecem clones uns dos outros.

Apesar de contar com a UnrealEngine3 falta certo polimento do jogo, claramente por falta de orçamento de sua produtora.

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O jogo conta com um sistema de evolução muito interessante, podendo utilizar o Crafting, no qual o jogador pode melhorar suas armas de acordo com os materiais que são recolhidos durante a aventura, e a famosa “Árvore de Habilidades”, no qual podem ser melhoradas habilidades de cada estilo do personagem: Warrior, que conta com uma espada e escudo, Rogue, faca e arma, Guardian, o bastão, e a Technomancer (classe que dá nome ao game) com habilidades elétricas que tornam as lutas bem mais interessantes. Estes sistemas funcionam muito bem no jogo, com comandos intuitivos e fáceis de serem aprendidos.

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O jogo com certeza vai tomar muito de seu tempo (cerca de 40h de aventura) além das missões paralelas que são bem diversificadas. O mapa é bem amplo com muitos locais a serem explorados. Outro ponto que chama muita atenção são as missões: você nunca lutará sozinho.Sempre terá um companheiro (apesar de ser um NPc) tornando a experiência bem mais divertida.

O que impressiona no jogo também é a sua dificuldade. Os chefões são extremamente difícies de derrotar, lembrando um pouco a dificuldade de Dark Souls. Isso com certeza tomará muito de seu tempo, tornando a vitória muito mais gratificante.

Outro ponto que vale a pena ser destacado e que inexplicavelmente não foi inserido no game é a legenda em português, ou no caso a falta dela. Hoje em dia a maioria dos grandes jogos tem a opção de legendas ou dublagem, porém, Technomancer simplesmente deixa este detalhe – importantíssimo –   de  lado,  o que pode afetar muito sua diversão.

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O jogo contém uma vasta lista de conquistas que vão desde comprar sua primeira habilidade até terminar o jogo na dificuldade extrema e desbloquear todas as habilidades dos 4 estilos de luta, porém, todas elas são em modo single player, ou seja depende apenas de você “zerar” o jogo.

Se você gosta de desafios e de completar jogos difíceis, com certeza Technomancer chamará sua atenção.

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O jogo veio com a ideia de ser um dos melhores do gênero. É extremamente divertido, intuitivo, fácil de aprender seus comandos, com um sistema de evolução muito interessante, porém, deixou a desejar em alguns pontos.Os gráficos poderiam ter melhor polimento, faltam legendas em português, e alguns pormenores técnicos que demonstram, talvez, uma dificuldade com orçamento da produtora.

O jogo vale a pena? Se você gosta de jogos de RPG ocidentais certamente irá gostar de Technomancer. A diversão será garantida, porém, se você não está habituado ao gênero nossa avaliação é de que talvez você não deva começar por ele.